Olho pela janela e tudo o que vejo são espectros. Deslocam-se para um local predefinido por um qualquer ideal que, com o tempo, substituiu os sonhos que tiveram na infância. Sonhos esses cheios de cor e alegria, Cheios de paz e amor. Não havia preconceitos relativamente a nada. Seres livres, demasiado inocentes para haver preocupações com coisas supérfluas. Verdadeiros artistas de um futuro promissor. Então algo aconteceu, inexplicavelmente cresceram e os parasitas da sociedade substituíram os pincéis por cartões de crédito, os livros por redes sociais descontroladas, as telas por monitores de terror … aos poucos deixar de seguir o seu próprio caminho e fundiram-se com a mesma sociedade que os arrancou de um futuro promissor. Tanto se perde. Tanta coisa que fica por escrever, pintar, esculpir… tudo substituído pela vontade de um monstro sem rosto. Não há pior na vida que não viver a vida que é suposto vivermos. Não há pior que estar num lugar onde não queremos estar.
